quarta-feira, 6 de abril de 2016

Cientistas suecos criam madeira transparente que pode substituir vidro

Claudia Wallin 
De Estocolmo

  • Peter Larsson
    Madeira transparente pode substituir vidro em janelas e fachadas
    Madeira transparente pode substituir vidro em janelas e fachadas
Pesquisadores suecos acabam de criar a madeira transparente, que poderá substituir o vidro na fabricação de estruturas como janelas e fachadas - e principalmente reduzir de forma significativa os custos de produção de painéis solares. Dentro de alguns anos, será possível até transformar as próprias janelas e paredes de casas e edifícios em painéis solares.
É a versão futurista da madeira, um dos melhores e mais baratos materiais de construção do mundo.
O novo material foi desenvolvido pelo Real Instituto de Tecnologia sueco (Kungliga Tekniska Högskolan - KTH), com sede na capital sueca.
"A madeira transparente é um excelente material para substituir o vidro na confecção de painés solares, uma vez que ela é produzida a partir de um recurso barato, abundante e renovável", disse à BBC Brasil o pesquisador Lars Berglund, chefe do Centro Wallenberg de Ciências da Madeira no KTH.
"Trata-se portanto de um material particularmente importante para reduzir os custos de implantação de painés solares em superfícies extensas, o que pode beneficiar regiões com boas condições climáticas para o uso da energia solar, como o Brasil", acrescenta ele.
Para criar a madeira transparente, os pesquisadores suecos desenvolveram um processo químico de remoção da lignina, um componente natural da parede celular da madeira.
"Quando a lignina é removida, a madeira se torna branca. A superfície porosa branca é então revestida com um polímero transparente com propriedades óticas", explica Lars Berglund.
O efeito de transparência é obtido através de tecnologias de manipulação em nanoescala, ou seja, em escala atômica e molecular.
O resultado é uma lâmina de madeira natural, mas visualmente transparente.
A descoberta sueca foi publicada na revista científica da Sociedade Americana de Química (American Chemical Society), a Biomacromolecules.
Embora a madeira transparente já tenha sido desenvolvida anteriormente em escala microscópica, para fins de estudo da anatomia da madeira, a pesquisa sueca desenvolveu pela primeira vez um método para a utilização do material em escala comercial.
Peter Larsson
Em locais de clima frio, madeira transparente pode reduzir consumo de energia
Na pesquisa sueca, a madeira transparente foi fabricada a partir da madeira do pinheiro e do pau de balsa.
"Mas qualquer tipo de árvore pode ser usada, e já planejamos trabalhar com diferentes tipos de madeira", diz Berglund.
A madeira é de longe o material mais usado em diferentes tipos de construção, observa o pesquisador. Além de ser um recurso renovável, também oferece excelentes propriedades mecânicas, como a resistência, a baixa densidade - que conferere leveza ao material - e a baixa condutividade térmica, que proporciona bom isolamento diante de mudanças extremas de temperatura.
Com a nova madeira transparente, espera-se reduzir significativamente os custos energéticos. O estudo sueco destaca que o uso de energia em casas e edifícios, que inclui luz elétrica, condicionadores de ar e aquecimento de água, representa aproximadamente entre 30 e 40% do consumo total de energia.
"É portanto de grande importância reduzir o consumo de energia no setor de construção. Neste contexto, a energia solar é bastante atraente, uma vez que é uma energia limpa, gratuita e inesgotável", diz o estudo.
Entre as aplicações futuras da madeira transparente, o pesquisador sueco destaca que será possível construir janelas, paredes e fachadas de casas que sejam, ao mesmo tempo, painés solares.
"Para isto, precisaremos desenvolver nossas pesquisas a fim de aprimorar a técnica e o grau de transparência da madeira necessários para tal", diz Berglund.
Em lugares de clima frio, o uso da madeira transparente nas construções também permitirá que a energia solar seja aproveitada para o aquecimento das casas - no mesmo princípio das estufas de plantas -, reduzindo assim o consumo de energia.
Painés de madeira transparente poderão ser usados ainda na confecção de janelas e fachadas de casas semitransparentes, com o propósito de trocar a luz artificial pela luz natural e ao mesmo tempo manter a privacidade dos ambientes.
"Mas é possível construir janelas inteiramente transparentes com o novo material", diz Berglund.
O próximo passo dos pesquisadores do KTH será desenvolver o grau de transparência da madeira, e aperfeiçoar o processo de produção do novo material. Lars Berglund calcula que a fabricação da madeira transparente em escala comercial poderá ser iniciada dentro dos próximos anos:
"Já demonstramos que é possível fabricar a madeira transparente, em escala laboratorial. Agora, serão necessários investimentos para iniciar a produção comercial do novo material. E também desenvolver a técnica para que, nos próximos anos, também possamos transformar as próprias janelas e paredes das casas em painés solares."

terça-feira, 29 de março de 2016

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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Acre participa do encontro de governadores sobre mudanças climáticas

Acre participa do encontro de governadores sobre mudanças climáticas

08.12.201518:52Por Celis Fabricia
O governador Tião Viana explicou o modelo de desenvolvimento sustentável desenvolvido no Acre (Foto: Gleilson Miranda/Secom)

Como parte dos eventos paralelos da Conferência das Nações Unidades sobre Mudanças Climáticas (COP 21), a Força-Tarefa dos Governadores para a Conservação do Clima e Florestas (GCF) realizou, em Paris, o encontro sobre inovação subnacional para o clima e florestas.
Dos 29 estados e províncias membros do GCF, o Acre tem posição de destaque. “É um modelo a ser seguido”, destacou William Boyd, líder do projeto GCF.
A noite celebrava os casos de sucesso e as ações que estão sendo desenvolvidas pelos membros do GCF no combate às mudanças climáticas e construção de modelos de desenvolvimento sustentável.
As experiências inovadoras demonstram que a redução do desmatamento pode ser aliada a uma economia com desenvolvimento econômico de baixas emissões.
Organizações internacionais como a Earth Innovation Institute, Environmental Defense Fund,USAID e Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam) foram parceiras no evento.
Na abertura da programação, o painel “Caminhos e Estratégias para Proteger as Florestas e Construir Economias smSustentáveis” teve a participação de quatro governadores brasileiros.
Além do governador Tião Viana, Pedro Taques, do Mato Grosso, José Melo, do Amazonas, e Marcelo Miranda, do Tocantins, apresentaram as contribuições que seus estados podem dar à nova agenda econômica que pode surgir após o encerramento da COP 21.
“Temos a preocupação de conservar nossa floresta, aumentar a produção, usando áreas já abertas, e também fazer a inclusão social do pequeno produtor, para que trabalhe de forma sustentável e tenha uma boa renda”, explicou o governador do Mato Grosso, Pedro Taques.
Associar a conservação com o desenvolvimento econômico e sustentável das populações tradicionais é um desafio. Mas, graças às políticas públicas implementadas ao longo dos últimos 20 anos, o Acre tem ocupado papel relevante nas discussões mundiais.
“Vivemos em uma região que tem determinação histórica, com princípios e valores civilizatórios. Temos o compromisso e valor ético de conservar e desenvolver a região”, destacou o governador Tião Viana.
Ainda durante a sua participação, o governador do Acre apresentou a necessidade de recursos tecnológicos para a produção na Amazônia.
A industrialização com base sustentável, o manejo das águas, a criação de abelhas e design de alta tecnologia foram alguns dos exemplos de projetos desenvolvidos no Acre que asseguram que as visões de desenvolvimento e de conservação não sejam antagônicas.
“Nos últimos 20 anos, a renda dos acreanos quadruplicou, e o desmatamento diminui em torno de 62%”, completou Tião Viana.

Declaração de Rio Branco – compromisso dos estados membros do GCF

O GCF trabalha para proteger as florestas tropicais, reduzir emissões do desmatamento e degradação florestal e promover caminhos realistas para um desenvolvimento rural que mantenha as florestas em pé.
A proposta é construir programas jurisdicionais robustos de proteção das florestas e do clima. Um importante compromisso foi firmado entre os membros do GCF, e teve o Acre como protagonista.
A assinatura da Declaração de Rio Branco, no ano passado, por 14 governadores de várias partes do mundo, selou o compromisso de reduzir o desmatamento em 80%, até 2020, com financiamento baseado em desempenho vindo da comunidade internacional.
De acordo com uma análise recente, feita pelo Earth Innovation Institute, se os estados e províncias do GCF reduzirem o desmatamento em 80% até 2020, isso irá resultar em 3,8 bilhões de toneladas de emissões de CO2 evitadas, além das 3 bilhões de toneladas de emissões que já foram evitadas por essas jurisdições.

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Tijolo antiterremoto reduz danos a edifícios: Para construir casas e prédios à prova de terremotos, a melhor técnica é começar certo desde o princípio.